Chuva não atrapalha ensaio da Imperatriz Leopoldinense

A chuva forte que caiu na Marques de Sapucaí não desanimou os cerca de dois mil componentes da Imperatriz Leopoldinense, única escola de samba a realizar ensaio técnico esta noite. À frente da bateria da agremiação de Ramos, Luiza Brunet desfilou de vestido longo. Apesar de não ter afetado a empolgação dos compenentes da escola, a chuva afugentou o público.

Samba Enredo Imperatriz 2010

Samba enredo Imperatriz

Compositores
Jeferson Lima; Flavinho; Gil Branco; Me Leva; Guga

Terra abençoada!
Morada divinal
Brilha a coroa sagrada
Reina Tupã, no carnaval…
Viu nascer a devoção em cada amanhecer
Viu brilhar a imensidão de cada olhar
Num país da cor da miscigenação
De tanto Deus, tanta religião
Pro povo, feliz, cultuar

O índio dançou, em adoração
O branco rezou na cruz do cristão
O negro louvou os seus orixás
A luz de Deus é a chama da paz

E sob as bênçãos do céu
E o véu do luar
Navegaram imigrantes
De tão distante, pra semear
Traços de tradições, laços das religiões
Oh, Deus pai! Iluminai o novo dia
Guiai ao divino destino
Seus peregrinos em harmonia
A fé enche a vida de esperança
Na infinita aliança
Traz confiança ao caminhar
E a gente romeira, valente e festeira
Segue a acreditar…

A Imperatriz é um mar de fiéis
No altar do samba, em oração
É o Brasil de todos os deuses!
De paz, amor e união…

Samba Imperatriz

Historia Imperatriz

A Recreio de Ramos já não existia mais e a Zona da Leopoldina precisava de uma escola que a representasse no carnaval. Surgia assim a idéia de fundar o Grêmio Recreativo Escola de Samba Imperatriz Leopoldinense, nascida em 6 de março de 1959. Reafirmando a identificação com a área, em sua bandeira há 11 estrelas representando os bairros da Leopoldina e uma maior que representa Ramos, o bairro-sede da escola.

No início, a diretoria da Imperatriz procurou buscar talentos em outras escolas e blocos da região, fortalecendo a agremiação. Assim, a Imperatriz estreou no carnaval em 1960, no terceiro grupo. Em 65, já estava entre as grandes, mas só se firmou a partir de 69. Em 78, uma nova passagem pelo segundo grupo.

Em 1980, a Imperatriz alcança seu primeiro título e um lugar entre as grandes do carnaval carioca. Com a vinda de Arlindo Rodrigues e o enredo O que é que Bahia tem, a escola chegou na primeira colocação ao lado da Portela e Beija-Flor. Em 81, novamente Arlindo Rodrigues deixa a sua marca com Teu cabelo não nega. O título foi merecido e a homenagem a Lamartine Babo ficou na memória do povo (Nesse palco iluminado / Só da Lalá).

Em 1988, novo susto: com o enredo Conta outra que essa foi boa, a Imperatriz ficou na última posição no carnaval daquele ano. Graças a uma mudança no regulamento, a escola se manteve no grupo principal e, no ano seguinte, deu a volta por cima: saindo da última colocação em 88, a Imperatriz foi a grande campeã de 89. Com Liberdade, liberdade, abra as asas sobre nós, a escola superou os mendigos de Joãosinho Trinta e ganhou seu terceiro título.

Na década de 90, a Imperatriz obteve as melhores marcas entre as escolas do Grupo Especial. Chegando sempre entre as primeiras, só ficou fora do Desfile das Campeãs em 97, quando chegou em 6º lugar. E ganhou dois bicampeonatos: em 94 (Catarina de Médicis) e 95 (Mais vale um jegue que me carregue que um camelo que me derrube lá no Ceará), e em 99 (Brasil mostra a sua cara…) e 2000 (Quem descobriu o Brasil foi seu Cabral…).

Com esses títulos, todos sob o comando de Rosa Magalhães, a Imperatriz se notabilizou por levar para a Avenida desfiles perfeitos, sem erros, com alegorias e fantasias luxuosas e comissões de frente bastante criativas. No primeiro carnaval do século XXI, a Imperatriz saiu, mais uma vez, vitoriosa: com o enredo Cana-caiana, cana roxa, cana fita, cana preta, amarela, pernambuco… quero vê descê o suco, na pancada do ganzá!, a Imperatriz conquistou o tricampeonato.

Com oito títulos, a agremiação se destaca como a que mais ganhou títulos nas duas últimas décadas e na Passarela do Samba.

Enredo Imperatriz 2010

‘Brasil de todos os deuses’